• Wagner Luz

Para especialistas, eventos híbridos estão no radar no pós-pandemia...

... mas precisam ir muito além dos encontros estáticos.





Escolas e universidades tiveram, da noite para o dia, que levar suas salas de aula para o ambiente virtual. Reuniões com familiares, amigos e gestores passaram para a tela do computador ou do smartphone. Eventos, conferências e palestras também não escaparam de uma transformação digital forçada por conta da pandemia de Covid-19 e das restrições sanitárias – promover o isolamento social e evitar aglomerações. Quem ganhou com essas mudanças foram as plataformas de videoconferência, fornecedoras de tecnologias de comunicação remota. Enquanto o serviço de videoconferência Zoom passou de 10 milhões de usuários diários de chamadas em dezembro de 2019 para mais de 300 milhões em abril do ano passado, o setor de eventos foi duramente atingido. No mesmo ano em que a plataforma norte-americana bateu recorde de usuários, 90,9% das empresas do segmento de turismo de negócios e eventos amargaram drástica redução no faturamento, segundo pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc), União Brasileira dos Promotores de Feiras (Ubrafe) e Sebrae.

CONGRESSO INTERNACIONAL VIA ZOOM

Por conta da pandemia de Covid-19, a Associação Paulista de Medicina (APM) teve de adiar a realização do “Global Summit Telemedicine & Digital Health” (Conferência Global de Telemedicina e Saúde Digital, em tradução livre) duas vezes no ano passado. Na impossibilidade de promover o evento fisicamente, a entidade optou pelo modelo virtual. O desafio, como conta o médico e diretor de tecnologia da instituição, Antonio Carlos Endrigo, foi não só estruturar toda a conferência virtualmente, que contaria com palestrantes internacionais de várias regiões do mundo, mas também fazer tudo isso com rapidez. A APM então contratou a WebSIA para o fornecimento da tecnologia para a promoção e coordenação do congresso, utilizando o Zoom como plataforma. “Nós colocamos uma bomba na mão da empresa”, diz Endrigo. “E eles conseguiram colocar tudo de pé em um curto espaço de tempo. Tivemos problemas? Sim, mas foram coisas muito pequenas diante de um evento desse tamanho, com a logística envolvida.” VEJA TAMBÉM: 3 maneiras de inspirar envolvimento em eventos virtuais O congresso registrou mais de 1.500 participantes e contou com a presença de médicos de diversas regiões do mundo, principalmente da América do Sul e da América do Norte. Para 2022, o médico já enxerga um modelo híbrido. “Com a vacinação e a retomada dos eventos presenciais, faremos uma combinação, não por questão de custo, mas também para disponibilizar nosso conteúdo para todas as pessoas do mundo”, afirma. De acordo com ele, o evento online realizado no ano passado pela APM teve um valor 65% menor que o de uma conferência presencial.

Mediante as dificuldades impostas pela pandemia de Covid-19, a empresa de automóveis Jaguar também teve de se adaptar para realizar o evento de lançamento do SUV F-Pace 2021 MY. Para isso, a montadora contratou a Apple Produções, empresa de eventos corporativos, que providenciou um espaço físico interativo no qual os executivos da organização, juntamente ao embaixador da marca, o piloto Cacá Bueno, falaram diretamente com o público sobre as novidades do lançamento. INTERATIVIDADE É O ANTÍDOTO PARA A FADIGA

Para replicar a experiência física no ambiente virtual, é necessário buscar novas ferramentas e recursos para integrar ao Zoom, a criação de ambientes 360º, e com modelagem 3D, no ambiente do software de videoconferência para a realização de congressos, possibilita que os participantes andem pelos pavilhões, visitem os estandes e conversem com os expositores sem sair de casa. Esse tipo de interatividade, diz o executivo, funciona como um antídoto para a chamada “fadiga do Zoom”, cansaço que muitos usuários do software relatam por permanecerem muitas horas engajados em videoconferências. A gente quebra esse cansaço promovendo essa sensação de proximidade. A intenção não se trata apenas de fornecer uma informação, mas também de possibilitar um vínculo.

As lives, que ficaram populares no início da pandemia, são um exemplo de experiência maçante, pois o espectador não tem um contato mais próximo com os artistas ou entrevistados.

"O evento híbrido veio para ficar. As empresas entenderam que as versões online possuem não só uma capilaridade local, mas a possibilidade de se abrir para o mundo inteiro", afirma o vice-presidente de inovação da WebSIA.

Assim que liberados os eventos presenciais, certamente os modelos híbridos terão muito espaço, agregando as novas tecnologias para trazer experiências e [uma maior] adesão dos participantes.


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